22/04/13

Mais fácil é impossível: morangos recheados com chocolate

Morangos recheados com chocolate 2

Esta receita da Lillyshop tem corrido a blogosfera de expressão inglesa e, desde que a partilhei no meu mural do facebook, já várias amigas a fizeram. Rápida, fácil e saborosa... que mais queremos nós? Com a vantagem adicional de que, se usarem chocolate com 70% cacau, é também muito saudável, podendo ser comida por quem está a fazer dieta. Numa versão para crianças, o melhor é mesmo usar chocolate de leite.

Ingredientes:

30 morangos médios (aproximadamente)
1 tablete de chocolate (usei 70% cacau)
6 colheres de sopa de natas (usei de soja)

Lavar os morangos. Retirar-lhes o pedúnculo. Com a pontinha de uma faca retirar-lhes o centro de cor esbranquiçada. Deixá-los escorrer em papel absorvente por uns minutos com o buraquinho virado para baixo.  Entretanto, levar ao microondas o chocolate e as natas até derreter. Mexer bem a mistura para que fique homogénea. Rechear os morangos com a ganache de chocolate, usando um bico de pasteleiro ou uma colher de café. Para que os morangos não tombem e o chocolate verta, colocar os morangos numa cuvete de gelo (sem gelo, claro!). Levar ao frigorífico para que a ganache endureça um pouco. Servir! 

Nota: se quiser mantê-los em pé na hora de servir, basta cortar um bocadinho do fundo do morango, que ele aguenta-se.

Morangos recheados com chocolate

14/04/13

Peixe em Lisboa: Harmonização com o Chef Paulo Morais

harmonizacão chef Paulo Morais


Este ano, no Peixe em Lisboa, voltei a assistir (e a degustar) uma harmonização de vinhos José Maria da Fonseca pelo Paulo Morais. Já no ano passado o tinha feito e foi uma experiência excepcional. Este ano, fiquei novamente rendida. 

Para começar, uma caldeirada em jeito de sopa. O chef apelidou-a de crua, mas o caldo quente acaba por cozinhar as finas fatias de pregado. Acho que a ideia era testar os presentes para ver se eram esquisitinhos ou não. Gostei muito do tempero com um toque asiático (gengibre e molho de soja). Do conjunto só não apreciei as batatas fritas. Para acompanhar, Colecção Privada Domingos Soares Franco, Verdelho 2011. 

Caldeirada by Paulo Morais

O segundo prato, Califórnia maki desconstruídos, era composto por camarão em tempura (o polme levava alga nori tostada); gelatina de alface, abacate e pepino; espuma de arroz e ar de wasabi com sal e sumo de lima. Foram apresentados lado a lado com os rolos Califórnia originais, para facilitar a comparação. O chef achou que íamos gostar mais do original do que da desconstrução, mas pela parte que me toca, enganou-se. O Moscatel Roxo Rosé, que já é um clássico destas harmonizações, foi o par perfeito para este prato.

Califórnia maki desconstruídos by Chef Paulo Morais

Seguiu-se um limpa-palato, que foi para mim o momento alto da harmonização: macarons de alga nori, recheados com pasta de fígado de tamboril. Sublime! Não sendo propriamente de inspiração asiática, o contraste do doce/salgado acaba por inevitavelmente remeter para essas paragens. Para acompanhar foi servido um vinho que adoro – Quinta de Camarate Branco. Este vinho tem uma percentagem de açúcar de 30%, devendo ser servido bem fresco. É perfeito para acompanhar sushi, mas é preciso gostar desta doçura pouco comum (acho eu) num vinho não licoroso.

Macarons de tamboril by Chef Paulo Morais

O trio de conservas caseiras de peixe em pão naan foi o prato de que mais gostei: conserva de salmão selvagem do Alaska com miso e mirim; conserva de bacalhau com caril e conserva de cavala com kimchi. Segui as instruções do chef: comi com as mãos, molhei cada pedacinho de pão, primeiro, em molho sweet chili, depois, no pungente kimchi (molho tradicional coreano). Lambi os dedos, beberiquei um vinho tinto Domini, e suspirei de satisfação.

 Conservas em pão naan by chef Paulo Morais

No final da refeição, o chef Paulo Morais serviu uma trifle com brownie de chocolate e gengibre cristalizado, morangos e espuma de moscatel. Claro que para acompanhar nada melhor do que um Moscatel de Setúbal. Também da Colecção Privada de Domingos Soares Franco, este vinho de 2006 tem como característica distintiva o facto de ter Armagnac na sua composição.

Sobremesa by chef Paulo Morais

O chef Paulo Morais e a sua mulher, a chef Anna Lins, são os responsáveis pelos Izakaya e Umai, Se apreciam comida asiática (japonesa, tailandesa, coreana, vietnamita) estes restaurantes são ponto de passagem obrigatório em Lisboa. Aconselho vivamente uma visita: o atendimento é atencioso e a comida é excelente. 




21/03/13

Pá de porco no forno a baixa temperatura


Pá de porco no forno (slow cooking)

Os cozinhados feitos em baixa temperatura conferem uma suculência e uma tenrura à carne absolutamente deliciosas. Não são para fazer à última hora, pois exigem umas boas horas de forno, mas, regra geral, são receitas muito simples de executar.

No Inverno, sabem melhor do que nunca, sobretudo para servir num daqueles domingos em que se recebe a família para almoçar. A carne assa lentamente no forno, a pouco e pouco o calor invade a casa, o aroma espalha-se sorrateiramente... O ambiente é acolhedor, perfeito para saborear uma refeição especial, entre muitos dedos de conversa.

Ingredientes:

1,200/1,500 kg pá de porco com osso
1 colher de chá de açúcar mascavado
(facultativo - é só mesmo para cortar 1 pouco a acidez do tomate)
2 colheres de chá de cominhos
1 1/2 colheres de chá de pimentão doce (paprica)
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de garam masala
2 colher de sopa de azeite
3 cenouras descascadas e cortadas em pedaços grossos
2 cebolas médias descascadas e cortadas em quartos
4 dentes de alho
1 lata de tomate pelado (usar só os tomates)
1 chávena de vinho
1 chávenas de caldo (de legumes/carne ou aves) - pode ser necessário juntar mais

Fazer uma pasta com 1 colher de sopa de azeite, as especiarias, o sal e o açúcar. Barrar a peça de carne com esta pasta. Deixar marinar cerca de 30 minutos (se não deixar, também não faz mal).

Num tacho que possa ir ao forno (com tampa e tudo), selar a carne em 1 colher de sopa de azeite, virando-a até ganhar uma cor dourada de todos os lados. Atenção: se não tiver um tacho apropriado para ir ao forno, sele num tacho normal, e depois faça o assado num recipiente de ir ao forno que tenha tampa.

Juntar o tomate, as cebolas e as cenouras, deitar o caldo e o vinho. Levar ao forno a 150/160 graus durante pelo menos 3 horas. De hora a hora, verificar se está tudo a correr bem (se é preciso juntar mais caldo, em que ponto de cozedura está a carne). A carne está pronta quando se separar do osso.

Pá de porco no forno (slow cooking)

Sugestão de acompanhamento: pode juntar umas batatas ou nabos cortados em quartos na fase final de cozedura. Diria que as batatas terão que ser colocadas cerca de 1 h antes de a carne estar pronta, enquanto os nabos, será cerca de 20 a 30 minutos. Se preferir, sirva com puré de couve-flor e cenoura.

Dicas: embora a carne fique mais saborosa se for selada, pois assegura que os sucos ficam no interior da peça, também não é crime saltar esse passo para tornar a receita ainda mais simples e a sua preparação mais rápida. Fica ao critério de cada um. 

Esta receita é muito versátil, podem usar os legumes que preferirem, especiarias a vosso gosto e a bebida alcoólica que quiserem (cerveja preta ou branca, vinho tinto, vinho do Porto) ou até água.

Receita adaptada do blogue The Kitchn


20/02/13

Das tradições gastronómicas portuguesas: butelo com casulas


A minha educação culinária foi pouco tradicional, não sei se por via da minha vivência citadina, das minhas raízes insulares, ou pelo facto de a minha mentora nestas lides – a minha avó paterna – ser de origem inglesa. Sei fazer uma mão cheia de pratos típicos da gastronomia portuguesa, mas tenho plena consciência de que há um sem número de produtos e de receitas por desvendar. Felizmente que, a pouco e pouco, num misto de espanto e prazer, lá vou conquistando terreno em matéria de tradição gastronómicas e conhecendo novos sabores (para mim, claro está!).  

O butelo e as casulas (ou cascas) foram duas das minhas mais recentes descobertas. Há cerca de 1 ano, em casa de uma querida amiga, fizemos uma prova de enchidos e pela primeira vez experimentei esta dupla. O butelo é um enchido com recheio de ossos da suã (coluna vertebral do porco) com a carne agarrada, envolto na bexiga ou no bucho de porco, servindo-se acompanhado por casulas, que são vagens secas de feijão. Este prato regional transmontano é habitualmente consumido no Entrudo.

Foto gentilmente cedida pela minha companheira de comezainas Suzana do blogue Gourmets Amadores.

No próximo fim-de-semana, de 22 a 24 de Fevereiro, em Bragança, realiza-se o Festival do Butelo e das Casulas, que vale certamente uma viagem até lá para saborear esta especialidade, contemplar as paisagens transmontanas e conviver com as suas calorosas gentes.

Caso não tenham possibilidade de ir até Bragança, podem experimentar este prato em Lisboa, confeccionado pelas mãos sabedoras da chef Justa Nobre, no Spazio Buondi/Nobre.  Foi lá que pela segunda vez experimentei este prato, no jantar de apresentação do Festival. Se quiserem meter as mãos na massa e confeccioná-lo em casa, então podem comprar os produtos online no site da Origem Transmontana e seguir esta receita.

Vale a pena divulgar e ajudar a preservar esta tradição tão nossa, não acham? 



28/01/13

Puré de couve-flor e cenoura


Puré de couve-flor e cenoura

Ultimamente tenho tido uma maior preocupação em relação aos acompanhamentos, principalmente para evitar o tradicional consumo de arroz/batata/massa, mas também para não me ficar pelo facilitismo dos legumes cozidos típicos das dietas. Atenção que eu até aprecio muito legumes cozidos (cozidos al dente e regados com um fio de bom azeite) – mas gosto particularmente de variar. Além disso, se o conduto for bom, ou um pouco diferente, basta grelhar ou fritar um bife, cozer ou grelhar um peixe, e o prato ganha uma nova dimensão. Não acham?

·         1 couve-flor (cerca 600 g)
·         2 cenouras descascadas (cerca 150 g)
·         1 colher sopa de pesto
·         Pimenta e noz-moscada
·         Leite de soja (sem açúcar!) ou leite de vaca 0,5 dl (copinho ½ medida copinho da bimby)

Bimby
Separar a couve-flor em floretes e cortar a cenoura em rodelas. Dispô-las nos 2 tabuleiros da Varoma. Cozer 20 minutos, Varoma. Triturar na velocidade 4 durante 20 segundos com os temperos e o leite de soja.

Tradicional

Separar a couve-flor em floretes e cortar a cenoura em rodelas. Cozer ao vapor até os legumes ficarem bem tenros. Passar pelo passe-vite ou triturar no robô de cozinha. Juntar o leite e temperar.  

Nota: Caso coza os legumes em água, tenha atenção, pois muito provavelmente não haverá necessidade de juntar o leite ao puré

26/12/12

Brigadeiros (ou bolinhos) de batata-doce

brigadeiros (bolinhos) de batata doce


Cá está um doce que tem cheiro de Natal, mas que nos deixa com a consciência (e não só) bem menos pesada do que as rabanadas, azevias, filhoses, bolo-rei e outras bombinhas de açúcar típicas desta época. Aproveito para desejar Boas Festas a tod@s e um ano de 2013 recheado de coisas boas.


Ingredientes: 

1/2 kg de batata-doce
1/2 chav. nozes
1/4 chav. tâmaras
1 colher de sopa de mel (facultativo)
coco ralado q. b.
raspa limão q. b. 
Podem juntar especiarias, caso queiram (cardamomo e/ou canela, por exemplo)

Cortar a batata-doce em rodelas grossas (não é preciso retirar a pele). Cozer a batata-doce ao vapor. Deixar arrefecer um pouco e retirar a pele. Pode descascar a batata-doce antes de a cozinhar, mas asseguro que dá menos trabalho e desperdiça-se menos, usando este método. Reduzir a batata-doce a puré (pode ser com um garfo), juntar as nozes e as tâmaras picadas. Misturar bem. Provar para decidir, de acordo com o seu gosto, se é quer juntar o mel. Moldar bolinhas e passar coco ralado previamente misturado com raspa de limão. 
Estes "brigadeiros" conservam-se bem 2 ou 3 dias no frigorífico. 

Rendimento: 20 brigadeiros

Fonte: aprendi esta receita com a Maria Leonor Braga, num workshop de cozinha ayurvédica no Museu do Oriente. 

21/06/12

Ratatouille


Ratatouille

Quando mais de 50% da nossa alimentação é feita à base de legumes e vegetais, não nos podemos ficar por legumes cozidos. Há que variar, encontrar outras soluções... estufar, guisar, assar, experimentar novas combinações, ir a outras gastronomias buscar inspiração para variar a nossa paleta de sabores.

O ratatouille é um guisado de legumes feito à maneira provençal muito saboroso e versátil: acompanha bem carne ou peixe e, com um ovo escalfado no seu molho, é uma óptima refeição vegetariana. Além disso, não perde qualidade ao ser reaquecido (ainda fica melhor de um dia para o outro), uma característica importante para quem leva todos os dias a marmita para o trabalho. 


Ingredientes:

1 cebola
2 dentes de alho
1 folha de louro
Beringela (250 a 300 g)
Curgete (250 a 300 g)
Meio pimento vermelho
4 tomates (pelados ou frescos)
2 dl vinho branco
Azeite
Tomilho
Sal e pimenta q.b.

Corte a curgete, a beringela e a cebola em rodelas finas e o pimento em tiras. Numa caçarola, aqueça o azeite e junte a cebola, o alho bem picado e o louro. Deixe a cebola murchar, sem fritar. Junte o tomate e o vinho branco. Deixe apurar um pouco. Adicione a curgete, a beringela e o pimento, dispondo-os por camadas alternadas, e temperando com sal e pimenta a gosto. Tape a caçarola e deixe cozinhar cerca de 15/20 minutos (depende da espessura dos legumes). Durante o tempo de cozedura, não mexa com colher, faça como na caldeirada e abane a caçarola para que os líquidos se distribuam. Se achar que o molho está demasiado líquido, tire a tampa para evaporar um pouco o líquido. Antes de servir, junte o tomilho fresco.