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14/07/14

Peixinhos da Horta (e uma refeição de petiscos n' A Charcutaria)

Peixinhos da horta

Já várias vezes aqui disse que me perco por um bom petisco. Seja no Inverno, acompanhados por um bom vinho, ou no Verão, com uma cerveja estupidamente gelada, não dispenso umas moelas, uns peixinhos da horta, uma salada de polvo, uns carapaus alimados, umas amêijoas à Bulhão Pato, caracóis... é infindável a lista. Por isso, quando fui convidada para almoçar petiscos n’ A Charcutaria, fiquei radiante.

Num ambiente muito acolhedor, com uma vista inspiradora, e um serviço simpático e cuidadoso, a refeição foi memorável: empadas de galinha (as melhores de Lisboa, sem dúvida), pataniscas, pezinhos de borrego em tomate (adorei!, patê de fígado de aves... Provei mais de 10 petiscos executados com mestria sob a batuta do maestro  - e contador de histórias – Manuel Martins,  o proprietário deste restaurante na Rua do Alecrim, em Lisboa.

Além dos tradicionais acepipes da cozinha alentejana, Manuel Martins pegou no conceito de petiscar e levou-o um pouco mais longe, oferecendo pequenas doses de algumas das iguarias tipicamente portuguesas, como feijoada, bacalhau à Brás, polvo no forno, entre outros.

Vale a pena uma visita. Ao almoço há menu a 12,5€, com prato e entrada. Se preferirem, sentem-se ao balcão, e saboreiem uns petiscos bem portugueses. Peçam ao chef para vos surpreender, não vão ficar desiludidos!

Evocando as memórias desta bela refeição n’A Charcutaria, deixo-vos com a receita de um dos meus petiscos favoritos: peixinhos da horta. 

Ingredientes:

350 g de feijão-verde
100 g de farinha
1 colher de café de bicarbonato de sódio
(se usar farinha com fermento não precisa de juntar o bicarbonato)
1 ovo (tamanho L)
1 dl de líquido (usei  metade vinho branco, metade água fria – mas pode usar só água, caso prefira)
1 mão cheia de salsa
½ cebola (cerca de 40 g)
Sal e pimenta qb
Óleo para fritar

Lavar e tirar o fio ao feijão-verde (se o feijão for tenro, provavelmente nem fio tem). Cortar as vagens ao meio no sentido longitudinal. O objectivo é ficar com pedaços com cerca 10 cm  -  gosto dos peixinhos mais pequenos, com cerca de 8 com, por isso, também os cortei ao meio  horizontalmente.

Cozer o feijão-verde com sal em água a ferver cerca de 5 minutos (fica ainda rijinho, pois ainda vai levar a fritura). Escorrer e deixar arrefecer. Entretanto, fazer o polme, misturando a farinha, o bicarbonato, o ovo e o vinho. Juntar salsa e cebola bem picadinhas. Temperar com sal e pimenta a gosto. Juntar o feijão-verde ao polme, misturando com um garfo. Fritar os peixinhos em óleo bem quente. Escorrer em papel absorvente. 


Fotos cedidas por Suzana Parreira, Gourmets Amadores
Petiscos: empada de galinha, sopa de tomate, pezinhos de borrego, petingas em conserva caseira

14/05/13

Como me diplomei em toucinho-do-céu no restaurante U Chiado...



Quando cheguei ao U Chiado para fazer um workshop com um conjunto de bloggers (Suzana, Laranjinha, Mónica Lice e a Sofia) já sabia que se tratava de elaborar uma sobremesa, mas logo que ouvi "toucinho-do-céu", pensei: "isto só lá vai com um verdadeiro milagre!".  É que o meu currículo gastronómico no que toca a doces conventuais está cheio de negativas. Se não são as gemas que talham, então é o açúcar que passa do ponto ou cristaliza. 

Contudo, desta vez, lá consegui safar-me! Bem, mas não o fiz sozinha, foi um trabalho a quatro mãos (obrigada Suzana), muito bem orientado pelo Chef Rui Fernandes e pela equipa do restaurante U Chiado. No final do workshop, além do doce conventual, com nota de Satisfaz, já que o trabalho foi sobretudo da Suzana, tirei  um Muito Bom na caipirinha e um Excelente na esferificação de manga. Não se riam, tenho cá em casa um diploma e tudo! ;-) 


Ingredientes para 4 doses (2 formas com cerca de 10 cm de diâmetro):

250 açúcar
100 amêndoa sem pele triturada
75 doce chila
180 g gemas
1 ovo
q.b.canela

Misturar o açúcar com a água e levar ao lume até fazer ponto de pérola (108 graus). Atenção não mexer muito, caso contrário o açúcar cristaliza. Juntar o doce de chila, a canela e a amêndoa. Deixar arrefecer um pouco e juntar as as gemas e o ovo previamente misturados. Levar novamente ao lume para engrossar. Encher as formas (untá-las com spray desmoldante) e cozinhar no forno a 160/180 graus. 

O toucinho-do-céu foi servido com uma esferificação de manga e também uma caipirinha com gelado de limão. A esferificação é feita de polpa de manga com pimenta rosa, misturada com alginato de sódio e água; com a ajuda de uma colher, mergulha-se uma porção dessa mistura numa solução de cálcio e água, criando-se assim uma fina cápsula gelatinosa que envolve a polpa de manga e lhe dá aquele aspecto de gema.


Cá está a prova da existência do diploma ;-)

O U Chiado é um espaço agradável, com uma decoração de extremo bom gosto (é mesmo muito bonito). Aconselho uma visita quer seja para almoçar, jantar ou tomar um copo ao fim da tarde (às quintas-feiras há música ao vivo) ou pela noite dentro. Claro que, agora, com o calor, a esplanada é muito convidativa, sobretudo nos dias em que se pode comer o seu elogiado brunch (sábado e domingo).  



26/10/10

No reino da infância: moelas estufadas


Este gosto por comer estava certamente inscrito no meu código genético, caso contrário como é que é possível que, com 3 anos, ficasse com aftas por comer queijo S. Jorge ou que, aos 4, propusesse aos meus pais: “Vamos pesticar?”. Traduzindo para linguagem de adulto: “Vamos petiscar?”. E o que estaria eu, do alto dos meus 4 anos, a sugerir? Que os meus pais partilhassem comigo uma malga de papa Cerelac ? Não! Eu já não era um bebé! Comer gomas? Frio. Isso é demasiado “moderno”... uma fatia de marmelada feita pela avó bastava para nos arrancar o maior dos sorrisos. Uma happy meal no “palhacinho”? Gelado! No meu tempo, o que comíamos eram hambúrgueres caseirinhos, daqueles mesmo só com carninha de vaca, passados por manteiga verdadeira.

O que eu queria é que me levassem à tasca – sim, à tasca. E para quê? Para comer moelas! Ai como eu adorava sentar-me naqueles bancos... Não chegava com os pés ao chão, e ficava com a cabeça ao nível do tampo da mesa, mas ali, na tasca, à mesa com os crescidos, sentia-me bem importante. Molhava o pão no molhinho, lambuzava os dedos, pingava a camisola, limpava a boca com as costas da mão, bebia um golo de Trinaranjus... E, assim, saboreava dos momentos mais felizes da minha infância.



Com esta pequena estória respondo ao desafio da Sofia que comanda um blogue muito especial – bem escrito, bem-humorado, com óptimas receitas – e que acompanho regularmente. Ha'baday tu iu (feliz aniversário) No Reino da Prússia!

Ingredientes:


750 g de moelas
2 colheres de sopa de azeite
1 folha de louro
1 cebola
1 dente de alho
1 dl de vinho branco
1 dl de vinho do Porto
1 lata de tomate pelado (só os tomates)
Sal
Massa de malagueta (molho picante ou piripiri)
1 pitada de cominhos


Nota: que me perdoem os mais puristas, mas costumo usar a panela de pressão para agilizar o processo. Só há que ter cuidado para não deitar demasiado líquido, caso contrário, as moelas não ficam apuradinhas e com o molhinho espesso.



Limpar muito bem as moelas e cortá-las a meio (se forem grandotas). Refogar a cebola e o alho no azeite. Juntar o louro e as moelas e deixá-las ganhar cor. Adicionar os temperos, os vinhos e os tomates. Depois é fechar a panela de pressão, deixar apitar e, a partir do apito, contar 20 minutos. Antes de abrir a panela, não se esqueçam de que o vapor deve ser totalmente libertado. Servir as moelinhas polvilhadas com salsa picada e acompanhadas com pão. É permitido lambuzar os dedos!

31/05/10

Bolos lêvedos de São Miguel


Apesar de andar sem muito tempo para cozinhar, este fim-de-semana lá consegui, graças à preciosa ajuda da máquina do pão, fazer estes deliciosos bolos lêvedos. A receita é da Nani, a micaelense que comanda o blogue Manjar de ideias doces. Ficaram óptimos!


Ingredientes para 8 ou 9 bolinhos:

500 a 550 g farinha de trigo 55
125 g manteiga (de preferência açoriana!)
125 g de açúcar
20 g de fermento de padeiro
2 dl de leite
Raspa de 1 limão
2 ovos

Na cuba da máquina de pão, deite o leite tépido e, a seguir, o açúcar e o fermento esfarelado. Junte os ovos batidos (convém que estejam à temperatura ambiente) e, depois, a manteiga amolecida. Junte a raspa de limão. Por fim, deite 500 g de farinha na cuba.

Ligue o programa massas da máquina de pão. Vigie o amassar, pois é provável que tenha que juntar mais um pouco de farinha, mas faça-o usando uma colher de sopa, para ir testando o ponto da massa a pouco e pouco (eu juntei mais 50 g, ou seja, cerca de 4 colheres de sopa). Depois de amassar, desligue a máquina, mas não abra a tampa máquina, deixando o pão levedar cerca de 30 minutos.

Faça bolas do tamanho de 1 laranja e disponha num tabuleiro polvilhado com farinha, deixando mais repousar 30 minutos. Pegue em cada uma das bolas e achate-as. Numa frigideira antiaderente, cozinhe os bolos em lume brando, de um lado e do outro. Atenção: para que não queimem, o lume tem de estar mesmo baixinho. Deixe arrefecer numa grade. Adoro comer estes pãezinhos com queijo, ao lanche ou ao pequeno-almoço. Mas desta vez, lá em casa, comemo-los ao jantar com um hambúrguer caseiro no meio e uma salada para acompanhar. Ficou uma delícia!

16/04/10

Migas de broa de milho e de feijão-frade


Um destes dias andava a passear aqui pelo blogue e apercebi-me de que a etiqueta acompanhamentos tem poucas receitas. É claro algumas sugestões vegetarianas podem ser servidas com carne ou peixe, contudo, há pratos que precisam de uma companhia específica. Estas migas, por exemplo, são o par ideal para polvo cozido, ou polvo à lagareiro. Fi-las para o meu almoço de Páscoa, com polvo cozido e salteado em azeite e alho, e nabiças cozidas.

Ingredientes:
(4 pessoas, se for servido como acompanhamento único)


500 g de broa de milho
1 chávena de feijão-frade cozido
2 dentes de alho
Azeite
Verdura a gosto (ou couve cortada para caldo verde*, nabiças, ou grelos)
Um pouco de caldo da cozedura do feijão ou da cozedura da verdura


Retirar a côdea da broa. Desfazer o miolo. Numa frigideira grande, aquecer o azeite e alourar o alho. Juntar o miolo da broa, deixar tomar o sabor do azeite. Verter um pouco da água da cozedura do feijão, ou da verdura, para dar liga ao pão. Juntar o feijão-frade cozido e a verdura que preferir cortada finamente. Rectifique os temperos e o azeite.



*Se usar couve já cortada para caldo verde, em vez de cozer, escalde em água a ferver durante 2 ou 3 minutos.

10/03/10

Massada de peixe e gambas


Já há alguns tempo que estou para publicar uma receita de massa com peixe. É um prato que faço recorrentemente, pois cá em casa somos os dois apreciadores de peixe, nomeadamente de cabeça (a parte mais saborosa do bichinho). Sempre que há cabeça de peixe, coze-se mais uma postinha para, no dia seguinte, se fazer uma massada e aproveitar o caldo. Não sendo uma receita com grandes segredos, pelo menos para os portugueses, a verdade é que é essencial usar um peixe de boa qualidade, de preferência de carne mais rija (corvina, cherne) e usar caldo “verdadeiro”... Não há cá caldinhos Knorr, nem Maggi, nem sopas de marisco de pacote, que, a meu ver, assassinam qualquer massada de peixe ou de marisco.

Ingredientes para 2 doses muito bem servidas:


1 posta média de corvina
(cozida e limpa de peles e espinhas)
8 gambas
200 g de massa cotovelos
7,5 dl de caldo de peixe (ver receita)
1 cebola pequena
2 dentes de alho
50 ml de vinho branco
3 ou 4 tomates pelados
(ou frescos sem pele, nem sementes)
Pimento verde a gosto, cortado em tiras
Molho picante (massa de malagueta ou piripíri)
Sal q.b.
Coentros


Em azeite, refogue a cebola cortada em finas meias-luas e o alho picado. Juntar o tomate e o vinho branco. Deixar apurar. Adicionar o pimento (não gosto do pimento demasiado cozinhado, por isso não o junto logo no início). Verter o caldo de peixe. Quando levantar fervura juntar a massa. O tempo de cozedura dos cotovelos é sensivelmente 8 minutos. Partindo desse princípio, quando passarem 5 minutos, junte as gambas (descascadas ou não). Um ou dois minutos depois junte o peixe e os coentros picados. Servir imediatamente.

Nota: não deixe a massa cozer demasiado, é preferível apagar o lume antes de estar completamente cozida, pois ela acaba de cozinhar enquanto se leva o prato para a mesa. Embora pela foto não pareça, a minha massada fica bem “caldosa”, normalmente até a como com uma colher. De acordo com a sua preferência, junte mais ou menos caldo à massada.

29/10/08

Sopa de feijão e funcho

Até parece caldo verde... mas é uma sopa típica açoriana. Fi-la para satisfazer dois pedidos: o da minha mãe (fonte da presente receita), que gostaria que eu publicasse aqui mais pratos açorianos, e o da I., uma amiga que provou e aprovou esta sopinha numa das viagens aos Açores. Como vêem aceito pedidos, têm algum?



Ingredientes:
400 g de feijão branco
1 pedaço de toucinho
(usei 2 fatias de toucinho fumado, vulgo bacon)
1 folha de louro
1 pau canela
1 cebola
2 dentes de alho
Rama de funcho
Sal q.b.
Água q.b.

Demolhar o feijão cerca de 12 horas. Cozer o feijão em água, com louro, cebola, alho, canela, bacon e sal (se usarem a panela de pressão, quando o vapor começar a sair contem apenas 5 minutos). Retirar o bacon , o pau de canela e a folha de louro. Triturar o feijão, a cebola e o alho, com a água da cozedura. Adicionar água quente, até a sopa ficar com a consistência desejada. Juntar a rama de funcho picada. Levar a sopa ao lume até levantar fervura. Servir.

11/06/08

Bacalhau com broa


Foi a Manuela do Delícias & Companhia que me chamou a atenção para esta receita da Cristina do blogue Ovo Estrelado (obrigada às duas!). É uma maravilha e não sou a única a assegurá-lo, pois este prato já correu a blogosfera. A princípio fiquei um pouco reticente de juntar o bacon, mas o resultado é muito agradável, delicado até, com um ligeiro travo de limão que casa na perfeição com o azeite. Vale a pena experimentar.

Ingredientes (4 a 5 pessoas):

Broa de milho (a minha broa tinha 850g)
2 lombos de bacalhau (aprox. 500 g)
½ pimento vermelho
100 g bacon
Azeite
4 dentes de alho
Pimenta
Coentros
½ cebola grande
Sumo de ½ limão
(mantive a quantidade de limão da receita original para 8 pessoas e fica muito bom)
2,5 dl de leite

Demolhar o bacalhau no leite temperado com sumo de limão e pimenta, durante pelo menos uma hora. Aproveitar este tempinho para partir o pimento e o bacon às tiras, picar a cebola, os alhos e os coentros e preparar a broa. Retirar a côdea de broa e desfazer o miolo, temperando-o com coentros picados, azeite e 2 dentes de alho picados. A Cristina aqui recomenda que não se exagere no azeite, pois a ideia não é ensopar a broa, mas apenas humedecê-la.

Dar uma fervura ligeira ao bacalhau no leite em que este demolhou e reservar o líquido. Limpar o bacalhau de pele e espinhas e lascá-lo. Adicionar o leite à broa. Misturar bem. Refogar a cebola e 2 dentes de alho picados, juntar o pimento, o bacon e o bacalhau, deixando-se cozinhar cerca de 20 minutos. Numa travessa untada com azeite, deitar metade da broa*, cobrir com a mistura do bacalhau e, por cima, colocar a restante broa. Salpicar com um pouco de azeite e levar ao forno a dourar. Acompanhar com salada.

*Na minha opinião, este bacalhau fica melhor se a mistura de broa do fundo da travessa ficar mais compacta e a de cima ficar tipo crumble. Por isso, da próxima vez coloco mais um pouco de leite na broa do fundo da travessa.

11/05/08

Pão-de-ló (miniatura)

Continuando a minha incursão pelas receitas tipicamente portuguesas, desta vez a minha experiência faz parte da doçaria tradicional, o Pão-de-Ló de Alfeizerão, com uma ligeira alteração… o tamanho!

Ingredientes:
100 g de açúcar
6 gemas
2 ovos
50 g de farinha com fermento

Bater os ovos inteiros com o açúcar e, quando estiverem esbranquiçados juntar as gemas 1 a uma. Bater todo o preparado durante 10 minutos com o batedor eléctrico. Peneirar a farinha e juntar ao preparado dos ovos sem mexer.
Colocar pequenas forminhas de papel (usei formas com 6 cm de diâmetro) dentro de formas de queques (para o papel não dobrar com o recheio) e forrar com a massa.
Levar a forno quente (225º) entre 2 a 4 minutos – mal a massa fique dourada, retirar do forno, pois o objectivo é termos os bolos com a massa mal cozida.

Sugestão:
Com as claras que sobrarem podem fazer a receita da Pipoka - Bolo de Claras e Canela.

29/04/08

Cozido à Portuguesa

A pedido de várias famílias (pronto... foi apenas dos meus amigos Andreia e Zé) iniciei a minha odisseia pela cozinha tradicional portuguesa – começando pela receita de um dos pratos do TOP5 Português – o cozido à portuguesa, ficando a promessa de uma boa feijoada à transmontana, polvo à lagareiro,...
Esta receita não é complicada e o resultado final não é muito fotogénico, mas segue a minha sugestão de ingredientes e forma de preparação.


Ingredientes:
1,5 Kg de carne de vaca (para guisar)
800 g de entrecosto
800 g de chispe
Enchidos “a gosto” (usei, 2 farinheiras, 1 chouriço de sangue, 1 chouriço de carne)
6 batatas médias
6 cenouras grandes
1 nabo
400 g de couve lombarda
400 de feijão manteiga cozido

Colocar a carne de vaca numa panela de pressão com água temperada com sal. Deixar cozer 30 minutos após levantar fervura. Noutra panela, colocar as carnes de porco (entrecosto e chispe) a cozer em água temperada com sal durante cerca de 1 hora (ou até estarem cozidas).
Após a carne de vaca estar cozida, retirar da panela de pressão (acrescentar água se necessário) e colocar: as batatas, as cenouras, o nabo, o chouriço de carne, a couve lombarda e as farinheiras (para dar “gosto”) e deixar cozer cerca de 30 minutos.Noutra panela, colocar o chouriço de sangue a cozer.
Retirar 3 chávenas de água de cozer a carne de vaca para fazer 1 chávena de arroz. Colocar a água a ferver numa panela e, após levantar fervura colocar o arroz até cozer (cerca de 20 minutos),
Bom apetite!

18/01/08

Como venci a batalha contra o leite-creme

No passado sábado fiz uma receita que me saiu bastante mal (bifes de peru recheados com puré de castanhas) e, no domingo, com a auto-estima culinária nas ruas da amargura, a única solução era vencer uma batalha. Lembrei-me imediatamente do meu mais temível inimigo dos últimos tempos: o leite-creme. Pois é, para vocês o leite-creme é uma sobremesa simples, mas para mim nunca foi. Não sei se acontece convosco, mas existem algumas receitas e tarefas culinárias que todos consideram triviais e que, para mim, são um verdadeiro desafio (pastéis de bacalhau, arroz doce, doce de ovos, enrolar tortas, decorar pratos…).

Enfim, a minha guerra com o leite-creme começou no Natal: o 1.º que fiz talhou e foi todo para o lixo; o 2.º, feito com outra receita, não talhou mas ficou líquido. Foi um avanço. Assim, peguei nessa receita e reduzi a quantidade de leite: o terceiro saiu bem! Por agora o saldo é favorável ao leite-creme (pipoka: 1, leite-creme:2), mas hei-de vencer a guerra (o próximo passo é aprender a manusear melhor a pá de queimar para que fique com um aspecto apetecível)!

Tenho que dar créditos à minha aliada nesta luta, a Colher de pau. Foi no blogue As Minhas Receitas que encontrei a melhor táctica de combate, ou seja, o método ideal para fazer o leite-creme sem correr o risco de que ferva e as gemas talhem. Aqui vai:

Ingredientes:

½ litro de leite
1 pacote de natas – 200 ml*
60 g de farinha
6 gemas
1 pau de canela
Casca de limão
200 g de açúcar + açúcar a gosto para queimar

*Quem não quiser usar natas, pode fazer o leite-creme com 7 dl de leite. Juntei as natas, pois estava-me a fazer um bocado de confusão usar leite magro, que era o único que tinha em casa. Para este tipo de receita, habitualmente compro leite meio gordo.

Ferver o leite com a casca de limão e o pau de canela. Numa caçarola, misturar o açúcar e a farinha e adicionar, a pouco a pouco, o leite. Levar ao lume, mexendo sempre, até engrossar. A pouco e pouco, juntar esta mistura às gemas, previamente batidas. Verter o creme para a caçarola e levar ao lume apenas 2 minutos (para cozer as gemas), mexendo sempre. Colocar o leite-creme numa travessa e deixar arrefecer. Na hora de servir, espalhar por cima um pouco de açúcar e queimar.

07/01/08

Bola de Bacalhau à moda da avó Irene

Esta receita, da família do R., originária da região de Coimbra, é feita em alturas de festa, em especial no Natal. Inicialmente era feita em forno de lenha, mas como estamos na cidade e não na aldeia, o nosso forno cumpre os requisitos mínimos, embora o paladar original seja mais apurado. É a minha participação no desafio da Cris do From Our Home to Yours, mesmo fora da data estipulada....

Ingredientes:
2 chávenas de chá de farinha de trigo
1 chávena de chá de farinha de milho
50 g de fermento de padeiro (em barra)
2 postas de bacalhau (desfiado em cru ou depois de cozido)
1 cebola grande
Azeite q.b.

Num alguidar, coloca-se a farinha. No centro faz-se um buraco onde adicionamos o fermento dissolvido em água quente (1 chávena de chá de água). Amassa-se com as mãos e vai-se acrescentando água até obtermos uma bola que se descola das paredes do alguidar. Tapa-se o alguidar com um pano e deixa-se levedar em local quente até a massa ficar com, pelo menos, o dobro do tamanho original.
Numa tigela, coloca-se o bacalhau e pica-se a cebola finamente, por fim acrescenta-se o azeite que será entre 1dl e 2 dl, conforme o tamanho da massa. Junta-se o preparado do bacalhau à massa e volta-se a amassar até ligar todos os ingredientes. Polvilha-se um tabuleiro com farinha, no qual se dispõem as porções da massa que calcamos até ficarem com cerca de 1 cm de altura. Vai a forno médio até a massa ficar “corada”.
Esta bola deve ser servida quente e pode ser aquecida, após confecção, no forno ou micro-ondas.

26/10/07

Feijão assado da ilha do Faial



Embora adore feijão, não estava nada inspirada para participar no rei da quinzena. Mas a leitura dos textos e maravilhosas receitas das talentosas Eliana e Marizé, deixou-me vontade de divulgar algum prato típico Ilha do Faial, de onde é originária a minha família (eu e a minha prima A. somos as únicas excepções). Então, lembrei-me do feijão assado à faialense, cuja particularidade é levar melaço de cana e o mais tradicional enchido açoriano (linguiça). Esta é uma tentativa de reproduzir uma receita familiar, que faz parte da minha memória, e que aproveitei esta ocasião para, pela 1.ª vez, confeccionar.

Recentemente, li um artigo na revista da SATA sobre a gastronomia açoriana e pude aprender um pouco da história deste prato. Por ser de fácil conservação (o melaço tem essa função), o feijão assado era recorrente na ementa dos marinheiros, tendo sido adoptado nos veleiros americanos da caça à baleia e posteriormente exportado para a culinária americana.


Ingredientes:
300 g de carne de porco



Refogar a cebola com o alho, juntar a linguiça, cortada às rodelas, e deixar que esta destile um pouco de gordura. Adicionar a carne, previamente cortada em cubos, e deixar cozinhar uns minutos, até ficar dourada. Juntar o tomate, o vinho e os restantes temperos. Enquanto se deixa a carne cozinhar, vai-se juntando água, pois deve ficar com algum caldo. Quando a carne estiver bem tenrinha, retirar o cravinho, a canela e a pimenta e misturar com o feijão. Verter esta mistura num recipiente de barro, espalhar o melaço por cima. Levar ao forno até apurar e o melaço ficar com um aspecto caramelizado (cerca de 30 minutos).

(usei pá de porco, mas habitualmente faz-se com entrecosto)
100 g de linguiça açoriana
(um enchido delicioso, praticamente sem gordura, temperado com massa de malagueta)
550 g de feijão manteiga cozido
1 cebola
2 dentes de alho
3 tomates (usei pelados)
1 colher de café de massa de malagueta
(esta massa tem um sabor peculiar que nunca encontrei em nenhum produto congénere, mas acima de tudo, serve para dar um toque picante à receita)
3 cravos-da-índia
5 grãos de pimenta da Jamaica
1 pau de canela
6 a 8 colheres de sopa de melaço de cana
Sal

23/10/07

Arroz doce cremoso


A pedido de várias famílias… pronto… apenas da minha amiga pipoka...lá fui eu fazer o meu arroz doce (não é que seja um sacrifício cozinhar, principalmente doces!).
A origem deste arroz doce é uma receita do Livro de Massas e Arroz da Vaqueiro com algumas adaptações minhas, fruto de várias experiências.
O arroz doce é uma sobremesa muito apreciada na família do meu R. (que é originária da zona de Coimbra – onde se faz o arroz doce sem ovos), o que aumenta o grau de exigência na confecção e nas críticas! Por este motivo, costumo fazer sempre esta receita utilizando o dobro dos ingredientes.


Ingredientes
50 g de arroz carolino (qualquer marca)
1 dl de leite (meio-gordo)
1 dl de água
1 casca de limão
100 g de açúcar
Canela para enfeitar


A receita é muito simples e o ingrediente principal é a paciência (pois o arroz demora cerca de 1 hora a fazer). Colocar a água numa panela. Quando começar a ferver junta-se o arroz bem lavado e escorrido, deixar cozer o arroz 3 a 4 minutos, mexendo sempre para não pegar. Ir juntando o leite (previamente fervido com a casca de limão), a pouco a pouco e mexendo. Quando o arroz tiver absorvido o leite, junta-se o açúcar e deixa-se ferver mais 5 minutos.
E já está! É nesta altura que fica um aroma na cozinha que nos dá vontade de começar a comer o arroz ainda quente mas, mais uma vez, paciência… quando o arroz tiver arrefecido colocamos a canela e agora sim, ao ATAQUE!!!

10/09/07

Queijadinhas de Sintra (made in Alcochete)


Pois é… estava uma linda tarde de Domingo e deu-me uma grande vontade de fazer um doce (não sei se me deu vontade de fazer ou de comer um doce…), enfim lá fui eu para a cozinha fazer umas belas queijadas…
A receita é simples mas um pouco demorada porque dá para mais de 50 queijadas… acho que o esforço valeu bem a pena!!!

Para a massa
500 gr farinha
Água q.b.

Para o recheio
500 gr de queijo fresco sem sal
300 gr de açúcar
50 gr de farinha
5 gemas de ovos
20 gr de miolo de amêndoa moída
1 colher (sopa) coco ralado
1 colher (chá) rasa de canela

Vamos acrescentando água à farinha e amassando até termos uma massa consistente e moldável. Estendemos a massa até ficar muito fina e com um copo fazemos círculos com 6 a 7 cm de diâmetro, vamos forrando as forminhas com esta massa e aconchegando com os dedos sem furar (aconselho terem umas 50 formas de alumínio para irem alternando no formo, cerca de 25 formas de cada vez).
Numa tigela desfazemos o queijo com o passe-vite e vamos juntar o açúcar, a farinha, a amêndoa, o coco, a canela e por fim as gemas e mechemos bem.
Colocamos o recheio só até metade da massa das formas.
Vão ao forno a 170º durante cerca de 25 minutos.

Bom apetite!

31/07/07

Coentrada de cação (ou o sabor da simplicidade)


Embora não seja lá muito estival – fica-se sempre um bocado a transpirar quando se come sopa quente no Verão! – apeteceu-me fazer esta receita e postá-la aqui. Além de adorar sopa de cação, não sei se pelo peixe (que tem poucas espinhas) ou se pelos coentros, gosto particularmente desta receita por representar bem uma ideia que defendo: a da simplicidade na cozinha. Azeite, coentros e alho: apenas 3, mas o resultado é delicioso.
Não quer dizer que não goste de pratos elaborados e super temperados (adoro comida indiana!), mas defendo que não é preciso colocar dezenas de temperos para um prato ser delicioso. Quando comecei a cozinhar, colocava N especiarias e temperos para demonstrar que sabia (às vezes nem se percebia muito bem o que se estava a comer), com o tempo, à medida que fui melhorando os meus dotes culinários, fui expurgando as minhas receitas do acessório. Chega de conversa e vamos lá à receita, que foi retirada de 1 livro do Pingo Doce (dá para 6 pessoas).

Ingredientes:

6 postas de cação
6 dentes de alho
6 colheres de sopa de azeite
1 ou 2 colheres de sopa de farinha (depende da consistência desejada para o caldo)
6 dl de água
Vinagre a gosto
1 molho de coentros
Sal grosso e pimenta q.b.

Descascar e pisar o alho com sal e os coentros picados. Fica um género de pasta. Num tacho, levar o azeite ao lume com esta pasta e deixar fritar (sem exageros para o alho não queimar). Dissolver a farinha em água fria e deitar no tacho, juntando a restante medida de água. Quando ferver, adicionar o cação. Verificar o sal e temperar com pimenta. Na altura de servir, acompanhar com pão alentejano e/ou batatas cozidas.

RECEITA FEITA POR PIPOKA